segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Profecias

A dor de quem escreve não pode ser sentida
Inexpremívelmente se expressa em versos insípidos e pálidos
E os gemidos são disfarçados em risos e prosas curtas
O fardo é cada vez mais árduo, e não traz sequer um louro para sua enfadonha coroa
E a boca passa a descrever uma parábola gélidamente calculada
Artelhos que passam a tremular como flâmulas ao vento
Para quem o vê, seu sofrimento é uma linha que logo esmorece
E para quem sofre, suas escarifações ardem como recém-feitas
Lacinante dor de sofrer os augúrios da maldita realidade
E tentar-se envolver e anúnciar o porvir
Um pária, um Maldito
E sua exclusão é factual
Alguem deseja ouvir a voz de um mudo?
As lágrimas de um bravo não podem escorrer sem sangue...

Autor: Lucas Cruz

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